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MAIO VERDE


Com diferentes origens, defensoras e defensores criam raízes que ajudam a transformar a história da DPEMT

Durante o mês de maio, a Defensoria Pública comemora o mês de valorização da instituição que auxilia no acesso à justiça da população

Por Paulo Henrique Fanaia
05 de de 2026 - 16:07
Foto: Bruno Cidade Com diferentes origens, defensoras e defensores criam raízes que ajudam a transformar a história da DPEMT


Raízes que Transformam. Este é o conceito da campanha institucional de 2026 da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT). Dialogando com a ideia de sustentação, crescimento e permanência, a campanha parte da premissa de que a DPEMT é construída por pessoas de diversas origens e sotaques, mas que falam a mesma língua: a da defesa dos direitos.

Essas raízes também englobam o conceito de “sangue verde”, ou seja, o sangue que move o coração das defensoras e defensores públicos que neste mês de maio comemoram o Maio Verde, período dedicado à valorização da instituição e ao reconhecimento da importância dos defensores na promoção da justiça social.

Para comemorar o início do Maio Verde, conversamos com algumas defensoras e defensores que vieram de outros estados com o objetivo de construir uma nova história em Mato Grosso e aqui fincar suas raízes que, de uma forma ou de outra, se transformaram na base que sustenta os princípios da DPEMT.

Alguns vieram com um certo receio do desconhecido, afinal, como explica o defensor público Marcelo Fernandes De Nardi, natural de Campinas (SP), quando foi aprovado em 2021, ele não conhecia o estado de Mato Grosso. Por uma coincidência do destino, Marcelo foi colega de faculdade do defensor público Paulo Marquezini, responsável por “convencê-lo” a vir para o estado.

“Eu não conhecia a fundo a DPEMT e muito menos o estado de Mato Grosso. Eu tinha receio de mudanças, mas respeitava, e ainda respeito profundamente o defensor Paulo Marquezini, um colega brilhante e muito especial com quem tive o privilégio de dividir os bancos da faculdade. Alguns minutos de conversa e a ‘publicidade’ que o Paulo fez a respeito da instituição e do estado foram suficientes para me convencer a vir para Mato Grosso. Comecei atuando no Núcleo unificado de Juara e Tabaporã, local onde fui muito bem recebido pela população e tive a ajuda especial dos integrantes do Núcleo e da colega defensora Carolina Henrica Borin Giordano Zandonai, que, de modo muito paciente e generoso, exerceu o papel de minha mentora. Hoje estou no Núcleo unificado de Dom Aquino e Poxoréu, local que também me recebeu muito bem”, conta Marcelo.

Quem também saiu da região sudeste do Brasil para desbravar Mato Grosso foi a defensora pública Bruna Rosa de Almeida Sayão. Natural de Niterói (RJ), ela começou a atuar na DPEMT em janeiro de 2024, no município de Porto Alegre do Norte (1.021 km de Cuiabá). Seguindo o sonho de ser defensora, Bruna conta que não foi fácil sair sozinha do estado do Rio de Janeiro para um local que ela não conhecia.

“Tive o apoio da família e dos meus amigos, o que ajudou a fazer com que minha saída do Rio de Janeiro fosse mais leve. Aqui em Mato Grosso tive a sorte de ter dois colegas de comarca e uma equipe de servidores muito parceira que foi uma rede de apoio fundamental na minha adaptação. Antes de ingressar eu já enxergava a DPEMT como uma instituição estruturada e avançada em relação a outras Defensorias, especialmente por já estar presente em todas as comarcas do estado, o que ainda não é realidade em outros locais do Brasil. Ao iniciar minha atuação, isso se confirmou. Encontrei uma instituição comprometida com a evolução constante, tanto na prestação de serviços à população quanto na valorização de seus membros e servidores. Aqui realizei meu sonho de ser defensora, um sonho que me acompanha desde a faculdade”, afirma Bruna.

Da esquerda para direita: Marcelo De Nardi; Bruna Sayão; Carolina Reneé; Robson Guimarães

Laços de família – Quem se encontrou definitivamente na DPEMT foi a defensora Carolina Reneé. Gaúcha do município de Porto Alegre, Reneé tomou posse na Defensoria de Mato Grosso em dezembro de 2016. Ela conta que a vontade de ser defensora pública surgiu ao relembrar a história de sua avó, uma mulher de origem simples que sempre batalhou para cuidar da família.

“A minha vó era faxineira e também catava latinhas para vender e ajudar na compra de remédios e na renda da casa. Atualmente eu faço parte do Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos em Defesa dos Catadores de Materiais Recicláveis. Essa atuação, que foi proporcionada pela Defensoria Pública de Mato Grosso, faz com que as minhas raízes pessoais e tudo aquilo que a minha vó me ensinou, por meio do trabalho digno e honesto, se aprofundem com as raízes da DPEMT. Hoje eu olho para a minha caminhada de 10 anos na instituição e sei que dei o melhor de mim para levar o acesso à justiça às pessoas que mais precisam. É uma forma de manter a minha vó viva em mim”, conta a defensora.

Entrega consciente – Diretamente do estado da Bahia, Robson Guimarães saiu do município de Caculé, em outubro de 2024, para tomar posse como defensor público em Mato Grosso. Sua comarca inicial foi em São Félix do Araguaia (1.014 km de Cuiabá), local onde foi recebido de braços abertos pela população e pelos servidores da instituição.

Robson conta que o sonho de lutar pelos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade foi a força motriz que fez com que ele escolhesse a DPEMT, instituição que desde o início já era motivo de admiração.

“A Defensoria Pública representa uma missão que ultrapassa fronteiras geográficas. Quando tomei posse eu entendi que poderia fazer a diferença em realidades que demandam presença, compromisso e sensibilidade. Sair do meu estado foi uma escolha consciente de crescimento e de entrega, uma decisão alinhada com o ideal de transformar vidas por meio do Direito. Vim para Mato Grosso sozinho, o que exigiu uma força emocional muito grande, mas com o tempo fui construindo vínculos muito sólidos, tanto com a equipe quanto com a comunidade. Hoje posso dizer que essas experiências me fortaleceram e ampliaram a minha visão de mundo e de atuação institucional. Eu já admirava a DPEMT, mas hoje eu a vejo não apenas como uma instituição jurídica, mas como um verdadeiro instrumento de transformação social, que atua diretamente na dignidade das pessoas e na concretização de direitos fundamentais”, garante o defensor.

Maio Verde – Essas são apenas algumas histórias que ajudam a definir a importância do Maio Verde e da valorização da Defensoria Pública. O período é uma tradição anual da instituição que se estende ao longo de todo o mês. A cor verde simboliza a esperança e o compromisso da DPEMT com a promoção dos direitos humanos.

“Por mais que se possa deixar um local de trabalho, uma cidade ou mesmo um país, seguimos enraizados naqueles com quem partilhamos e vivenciamos experiências, notadamente as de cunho fraternal. Aliás, a fraternidade é um conceito que congrega noções religiosas, jurídicas e filosóficas e, no âmbito da DPEMT, constantemente nos impulsiona e guia. Ainda que dificuldades, cansaços e frustrações inevitáveis possam nos fazer esmorecer, essa troca diária com colegas, servidores, munícipes e assistidos faz com que essa vocação para o servir puro e simples potencializem a nossa vontade de atuar como defensores e defensoras”, diz Marcelo De Nardi.

No dia 19 de maio é celebrado o Dia Nacional da Defensoria Pública, data instituída pela Lei nº 10.448/2002, em homenagem a Santo Ivo (Yves Hélory de Kermartin), padroeiro dos advogados e defensores públicos. A escolha remete ao falecimento de Santo Ivo, ocorrido em 1303. Doutor em teologia, direito, letras e filosofia, Santo Ivo é reconhecido como patrono dos advogados devido à sua atuação em defesa dos pobres, órfãos e viúvas. Durante sua vida, ele fundou a "Instituição dos Advogados dos Pobres", oferecendo assistência jurídica gratuita aos necessitados. Sua canonização, em 1347, consolidou seu legado como símbolo de justiça e compaixão.