A defensora pública-geral da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Luziane Castro, reforçou que o ciclo de violência contra a mulher não pode ser combatido apenas pelas mulheres, mas por toda a rede de enfrentamento, com políticas públicas adequadas, educação, conscientização e coragem coletiva. A defensora participou nesta segunda-feira (9) da solenidade de abertura da 32ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa e da instalação do Projeto Banco Vermelho, no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT).
“A cultura que produz violência não será transformada apenas pelas mulheres que a enfrentam. Ela precisa ser transformada também por aqueles que, historicamente, foram educados dentro dela. A Defensoria Pública continuará cumprindo sua missão constitucional de garantir proteção, acesso à justiça e dignidade às mulheres que buscam ajuda. Mas a verdade é que nenhuma instituição resolve esse problema sozinha. Romper o ciclo da violência exige justiça, políticas públicas, educação e, sobretudo, coragem coletiva para mudar padrões que atravessam gerações”, afirmou Luziane.
O Projeto Banco Vermelho é uma iniciativa nacional que prevê a instalação em espaços públicos de grandes bancos vermelhos que funcionam como símbolos de alerta, memória e conscientização no combate à violência contra a mulher. O evento desta segunda-feira também marca o início da campanha do Núcleo de Atendimento às Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do TJMT, “Eu Digo Basta”.
“A ideia do banco é ter um espaço para que aqui nós possamos assentar, refletir, levantar e agir. Porque o vermelho é a cor do sangue das vítimas da violência contra a mulher, é a cor do feminicídio. Nós precisamos lutar para que nossas mulheres não morram. Nós precisamos lutar para que nossas mulheres vivam com dignidade. E essa é a ideia do Banco Vermelho”, disse a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), desembargadora Maria Erotides Kneip.
Durante seu discurso, Luziane firmou o compromisso de que em 2026, a Defensoria Pública de Mato Grosso continuará a atuar ao lado das mulheres vítimas de violência em todo o estado, afinal, somente em 2025, a instituição realizou 12.976 atendimentos relacionados à violência doméstica.
“Cada atendimento tem uma história que raramente aparece nas estatísticas: uma mulher que demorou anos para procurar ajuda, outra que desistiu de denunciar por medo, ou aquela que chegou à Defensoria apenas para perguntar: ‘Isso que eu estou vivendo… é violência?’. A resposta, muitas vezes, é sim. Porque a violência doméstica não começa com o feminicídio. Ela começa com o controle, com a humilhação, com o isolamento, com a deslegitimação da palavra da mulher”, disse Luziane.
