Para muitas famílias indígenas do Xingu, a despedida de quem parte vai além do silêncio e da saudade. Em algumas etnias, o luto também significa retirar de circulação tudo o que mantinha vínculo com a pessoa falecida: objetos pessoais, roupas e, em alguns casos, documentos. O gesto carrega respeito, memória e a tentativa de encerrar um ciclo.
Mas, anos depois, a ausência desses registros acaba se transformando em um novo desafio: provar oficialmente uma morte que já foi vivida e sentida pela família.
Durante o programa Defensoria Até Você, em Gaúcha do Norte, a Casa de Saúde Indígena (Casai) levou 13 casos de pedidos de emissão de certidão de óbito tardia à Defensoria Pública de Mato Grosso. Todos os atendimentos foram encaminhados ao cartório e ao Judiciário para que os registros possam finalmente ser formalizados.
O defensor público José Edir, que atua na ação, explica que a emissão da certidão representa mais do que uma exigência burocrática.
“Esse documento também é uma forma de encerrar o luto. Ele traz segurança jurídica para a família, mas também simboliza um fechamento, um reconhecimento oficial daquela perda que já foi vivida há muito tempo”, afirma.