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DESENHOS QUE FALAM


Defensoria leva exposição ao TRE e amplia debate sobre violência contra a mulher

Mostra ficará por 30 dias no Tribunal e aproveita o período de maior circulação de pessoas para manter o enfrentamento à violência doméstica na agenda pública

Por Marcia Olivera
08 de de 2026 - 13:30
Fernanda Borralho Defensoria leva exposição ao TRE e amplia debate sobre violência contra a mulher


A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) abriu, nesta terça-feira (8), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), a exposição itinerante “Desenhos que Falam: percepções sobre a violência doméstica”. A mostra ficará por 30 dias no saguão do TRE onde a defensora pública-geral, Luziane Castro, afirma que terá maior alcance social em função do período que amplia a circulação de pessoas na Justiça Eleitoral. Ela avalia que manter o enfrentamento à violência contra a mulher na pauta pública é tarefa de todos e uma necessidade diária. 

Durante a abertura da exposição, Luziane registou que a passagem da exposição pelo TRE ocorre num momento estratégico e que, por causa da importância e impacto social do tema, o debate precisa fazer parte da rotina da sociedade. “O enfrentamento da violência contra a mulher tem que ser uma luta de todos. E a ideia dessa exposição é que a gente faça isso, percorrendo várias instituições. Agora, especialmente, estamos aqui na Justiça Eleitoral e queríamos muito estar aqui, porque é o momento em que muitas pessoas circulam nesse espaço. A gente quer impactar com essa exposição para justamente trazer o tema da violência contra a mulher para a nossa discussão diária. É uma questão urgente, necessária e que exige que tratemos disso diariamente”, disse a defensora-geral.

Para a coordenadora do Núcleo da Defesa da Mulher de Cuiabá (Nudem), defensora pública Rosana Leite, a exposição permite que a sociedade conheça, a partir do olhar de crianças e adolescentes, reflexos da violência que ocorre dentro dos lares. Ela também destacou a importância de manter o assunto em evidência no período eleitoral. 

“Em agosto - mês de enfrentamento à violência doméstica e familiar - de um ano atrás, estivemos em algumas escolas falando sobre o tema e alguns alunos se expressaram por meio desses desenhos. Ao vê-los, acreditamos que eles não poderiam ficar escondidos da sociedade. Ela tinha que perceber como os meninos e meninas estão vivenciando e sofrendo os efeitos da violência contra a mulher dentro de casa. Então surgiu essa ideia de expor para a população e desde então, já estivemos em vários órgãos. Agora, chegamos ao TRE”, explicou.

Rosana acrescentou que a passagem pelo TRE também busca inserir o enfrentamento à violência contra a mulher entre os temas discutidos neste período. “No momento eleitoral, período em que se fala tanto de violência contra a mulher, ainda é necessário avançar a pauta para onde nós, mulheres, precisamos. Esses desenhos existem para externar isso e fazer a sociedade refletir sobre o que estamos passando no cenário de violência contra a mulher”, afirmou.

A defensora pública que também atua no Nudem, Zanah Carrijo, ressaltou que os trabalhos revelam que o assunto faz parte da realidade de crianças e adolescentes e que as atividades desenvolvidas nas escolas também buscaram prepará-los para reconhecer e enfrentar situações de violência. “Por meio dos desenhos percebemos que esses alunos estavam vivendo violência em casa. Eles expressaram durante as perguntas que faziam que algumas situações eram comuns para eles e também mostravam interesse e curiosidade. Pelo olhar, pelo gesto corporal, dava para perceber que estavam passando por isso”, relatou.

Segundo Zanah, o trabalho nas unidades escolares também incentivou os estudantes a assumirem uma postura de proteção diante dessas situações. “Na intervenção na escola, procuramos prepará-los para combater essa situação em suas famílias. Foi um trabalho de estimular que pensem sobre o tema e se posicionem como alguém que deve proteger e não estimular a violência”, afirmou.

A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou a importância da parceria entre as instituições, valorizou a iniciativa e elogiou o uso da arte como instrumento para abordar temas sociais. “Quando o TRE, como representante da democracia, se conecta com a sociedade, está exercendo um dos seus papéis. A todos aqueles que nos buscam, abrimos as nossas portas. E a Defensoria Pública, nossa grande parceira, nos buscou para acolhermos essa exposição e tenho uma felicidade muito grande de receber essa iniciativa, que é muito bonita e importante”, disse.

Serly destacou que a linguagem dos desenhos permite abordar o tema sob outra perspectiva. “Mostra que, por meio da arte, é possível conversar sobre assuntos que nos são caros, assuntos que nos fazem pensar de forma diferente. Essa é uma forma lúdica de pensar sobre essas coisas, trabalhando com crianças e com desenhos. Trabalhar em parceria é muito importante. Temos que olhar com humanidade para esses assuntos, pois podemos falar sobre questão importantes para a mulher em todos os níveis”, disse. 

A presidente também relacionou o tema à atuação da própria Justiça Eleitoral. “Temos que pensar, de forma direta ou indireta, nessas questões da mulher, pois a mulher é eleitora. Eu quis a exposição aqui, neste exato lugar, para que os servidores do órgão possam passar, acompanhar, ver, observar e refletir sobre um problema que pode estar afetando pessoas próximas e mesmo pessoas em nossas casas”, completou.

Desenhos - A exposição “Desenhos que Falam: percepções sobre a violência doméstica” nasceu a partir de ações de educação em direitos realizadas pelo Nudem durante o Agosto Lilás de 2025. Na ocasião, as defensoras públicas Rosana e Zanah visitaram escolas estaduais de Cuiabá para conversar com crianças e adolescentes sobre violência doméstica e familiar contra a mulher. Durante as atividades, os estudantes produziram desenhos e textos que retratavam suas percepções sobre o tema. Diante da força das mensagens apresentadas nos trabalhos, surgiu a proposta de levá-los para fora do ambiente escolar e apresentá-los à sociedade.

A mostra reúne produções de estudantes das escolas estaduais Rodolfo Augusto Trechaud Curvo, Professor Welson Mesquita de Oliveira, Ernandy Maurício Baracat de Arruda e doutor Hélio Palma de Arruda. Os trabalhos apresentam, a partir do olhar de crianças e adolescentes, situações, sentimentos e consequências relacionados à violência doméstica e familiar. A primeira exposição foi realizada entre novembro e dezembro de 2025, no prédio dos Núcleos Cíveis da Defensoria Pública, em Cuiabá. Em março deste ano, os trabalhos seguiram para o Fórum de Cuiabá Desembargador José Vidal. Em abril, chegaram à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e, em junho, ao Fórum Trabalhista de Cuiabá. 

Na sequência, a mostra deixou o Centro Político Administrativo e foi levada, em julho, ao Cine Teatro Cuiabá. Em agosto, chegou ao Ganha Tempo da Praça Ipiranga, onde permaneceu até 3 de setembro. O TRE é o sétimo espaço a receber a exposição itinerante. A mostra permanecerá no Tribunal até 8 de outubro. Depois, a programação prevê que “Desenhos que Falam” siga para a Câmara Municipal de Cuiabá, onde tem previsão de ficar de 13 a 30 de outubro, ampliando a circulação dos trabalhos e a discussão sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres.

Seja a voz que acolhe - A DPEMT, por meio do Nudem, lançou em agosto a campanha “Seja a Voz que Acolhe”, com o objetivo de combater à violência contra a mulher em todo o estado. O público alvo da campanha são os familiares, vizinhos, colegas de trabalho e todos que estão inseridos no dia a dia das mulheres que sofrem com a violência doméstica. Ao acessar o site da instituição, a população pode conferir o “Painel da Violência”, com dados de atendimentos da Defensoria Pública voltados às mulheres em todo o estado e informações sobre como acessar os serviços do Nudem. 

O “Seja a Voz que Acolhe” busca sensibilizar as pessoas para que elas consigam identificar os sinais da violência, para que assim atuem como sujeitos que auxiliam as mulheres nos momentos em que elas precisam denunciar os agressores.