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VIA UTI AÉREA


Recém-nascida com insuficiência renal é transferida para Santa Casa após atuação da Defensoria

Bebê de apenas 14 dias de vida foi transferida de Colíder para Cuiabá cinco dias após decisão judicial

Por Alexandre Guimarães
08 de de 2026 - 17:10
freepik Recém-nascida com insuficiência renal é transferida para Santa Casa após atuação da Defensoria


Uma recém-nascida de apenas 14 dias, diagnosticada com insuficiência renal aguda, foi transferida para o Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, no último domingo (6), após atuação da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), que obteve uma liminar no dia 1° de setembro determinando a transferência.

A bebê deixou o Hospital Regional de Colíder e foi encaminhada, via UTI aérea, para uma unidade especializada na capital, onde passou a receber atendimento especializado em nefrologia pediátrica. Segundo a família, ela já iniciou o tratamento e permanece estável.

A transferência ocorreu depois que a Central de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) identificou uma vaga disponível. O pedido havia sido registrado no Sistema de Regulação (SISREG) como Prioridade 1 (casos que necessitam de atendimento com urgência).

A criança nasceu em Alta Floresta (a 823 km de Cuiabá), com 29 semanas de gestação e 1,39 kg. Desde o nascimento, ela permaneceu internada em razão de um quadro clínico grave: sepse precoce, insuficiência renal aguda, distúrbios metabólicos, anemia e plaquetopenia, conforme o prontuário médico.

Durante a internação em Colíder, a recém-nascida também sofreu uma parada cardiorrespiratória, revertida após cerca de cinco minutos.

Segundo a mãe, L. J. dos S., a filha teria contraído ainda no útero uma infecção que evoluiu para sepse. O quadro renal se agravou na última terça-feira (1°), quando a bebê deixou de urinar e passou a apresentar retenção de líquidos.

Diante da necessidade de atendimento especializado e da ausência de suporte em nefrologia pediátrica na unidade onde estava internada, a família procurou a Defensoria Pública, que imediatamente acionou a Justiça.

A ação foi proposta pela defensora pública Caroline Maat Rodrigues Sakaui, diante do risco de agravamento do quadro e de falência renal, com possibilidade de evolução para óbito.

No mesmo dia (1º de setembro), o juiz Tibério de Lucena Batista, da 2ª Vara de Alta Floresta, determinou que o Estado e o Município providenciassem, de forma solidária, a transferência da criança para uma UTI Neonatal com suporte em nefropediatria.

A decisão estabeleceu prazo de 24 horas para o cumprimento da medida e determinou, ainda, o custeio dos procedimentos necessários ao tratamento e do suporte à acompanhante.

Naquele momento, conforme os registros médicos, a recém-nascida estava intubada, em ventilação mecânica, sob sedação contínua e utilizando drogas vasoativas.

A urgência também foi apontada em parecer do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NatJus). Segundo a avaliação técnica, a associação entre sepse e insuficiência renal representava elevado risco de rápida deterioração clínica e poderia tornar necessária a adoção de terapia renal substitutiva, como a diálise.

Como a determinação judicial não foi cumprida dentro do prazo inicialmente estabelecido, o caso foi encaminhado ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Saúde Pública.

A partir da atuação do órgão, o atendimento foi viabilizado e a transferência para Cuiabá foi realizada, via UTI aérea, no dia 6 de setembro.

Já no Hospital Estadual Santa Casa, a recém-nascida passou por um procedimento para inserção de cateter e iniciou as sessões de diálise, segundo a família.

Apesar da gravidade do quadro, a mãe relata que a filha permanece estável após a chegada à capital e que, finalmente, passou a contar com o atendimento especializado necessário para o tratamento da insuficiência renal.